Alckmin diz que Flávio Bolsonaro fez 19 exigências e não quer abrir sigilo: 'Vida pública é pública, tem que ser transparente'
21/10/2026
(Foto: Reprodução) Vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)
TV Globo
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quarta-feira (21), após cumprir agenda em São Paulo, que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, fez 19 exigências para abrir seus sigilos e que, na avaliação do vice, não quer torná-los públicos. Alckmin defendeu que presidente e vice-presidente não deveriam ter sigilos fiscal, bancário nem telefônico.
“Eu acho até que quem é eleito presidente e vice-presidente não devia ter sigilo, nem fiscal nem bancário nem telefônico. Vida pública é pública, tem que ser transparente. Quem quer ter vida privada vai cuidar do setor privado. Agora não é possível ter vida pública e não prestar contas para a sociedade”, disse Alckmin na Casa de Portugal, na região da Liberdade.
O vice-presidente também afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concordou com as 19 exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro.
“O candidato Flávio Bolsonaro fez 19 exigências para abrir o sigilo. Ele não quer abrir o sigilo. Está dando desculpa. Agora, a campanha do presidente Lula se pronunciou por meio de Camilo Santana: nós concordamos com os 19 [pontos], pode abrir”, declarou.
'Desafio dos sigilos': veja as diferenças das manifestações de Lula e Flávio sobre divulgação de dados
Alckmin voltou a criticar o senador do PL e disse que ele não respondeu os pontos levantados durante o debate realizado na Band no último domingo (18).
“Nada do que foi levantado no debate, inclusive desrespeitoso com o presidente, ele não respondeu nada”, afirmou.
Nesta quarta, o coordenador político da campanha de Lula, senador Camilo Santana (PT-CE), disse que a campanha de Lula vai ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira (22) protocolar a resposta ao senador Flávio Bolsonaro.
"Se não tem nada a dever, que ele cumpra o que o presidente propôs. O presidente não tem nada a se opor ao que ele colocou como condicionantes. Amanhã às 11h estaremos no TSE para protocolar a resposta do presidente e é o prazo para ele estar la também", disse Santana.
Em um ato de campanha em Belo Horizonte, Lula comentou o caso e disse que Flávio "inventou um monte de mentiras".
"Esta semana eu pedi para o Flávio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã. Vou meter um 9. Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. As cartas dele são todas falsas. Eu estou com zap, sete de copas, espada e ouro. E ainda tenho um três de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar como mineiro", disse Lula.
As condições impostas por Flávio
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante o horário eleitoral gratuito dessa quarta-feira (21)
Reprodução
Em resposta ao desafio de quebras de sigilo lançado nesta semana pelo presidente Lula, Flávio condicionou o levantamento de dados a exigências que abrangem tanto o período em que Lula exerceu mandatos anteriores quanto a atual gestão federal.
Entre as principais exigências feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro estão:
Sigilos de assessores próximos: apresentação de termos de autorização de quebra de sigilo de assessores, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", ex-chefe de gabinete.
Empresas de familiares e sócios: abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo sociedades do filho Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", negócios recentes no exterior, empresas de outros filhos, além do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras desde o ano de 2003.
Caso Master: divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião mantida entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024.
INSS: esclarecimentos sobre as relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de suas entradas em palácios presidenciais e voos na Força Aérea Brasileira (FAB), e a quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.
Cartão corporativo: abertura de todos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, e de agendas institucionais da primeira-dama, Janja, desde o primeiro ano de mandato.
O 'desafio' de Lula
Em um documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PT à reeleição afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.
De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados – seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público – vão abranger os seguintes familiares de Lula:
Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente;
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;
Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF;
Sandro Luís Lula da Silva, filho;
Luís Claudio Lula da Silva, filho.
Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares:
Jair Bolsonaro, pai;
Rogéria Bolsonaro, mãe;
Carlos Bolsonaro, irmão;
Eduardo Bolsonaro, irmão;
Jair Renan Bolsonaro, irmão;
Fernanda Bolsonaro, esposa.
E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL:
Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;
All In One Corretora de Seguros Ltda;
Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda.;
Bolsonaro Digital Ltda.;
Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como "usuário master".
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.
O outro inquérito trata do financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.
Flávio Bolsonaro e Lula em entrevista com Renata Lo Prete
Globo/ Manoella Mello
Interferência da Meta
A campanha de Lula afirmou que segue preocupada com a atuação da Meta durante o período eleitoral mesmo após a reunião de terca-feira (20) no TSE com a empresa.
Segundo a coordenação, a ala jurídica da campanha vai entrar ainda nesta quarta-feira (21) com representações na Justiça Eleitoral contra a Meta.
"A Meta é motivo de grande preocupação para gente e para o mundo democrático. Não vamos aceitar esse tipo de interferência, esse tipo de coisa" afirmou Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação (Secom).