Pesquisa mostra que maioria dos jovens vê regime CLT como 'trabalho ideal' para os próximos anos
28/10/2026
(Foto: Reprodução) Pesquisa aponta que maioria dos jovens prefere emprego CLT mesmo na era da IA
A carteira assinada continua sendo o emprego ideal dos jovens - mesmo na era da inteligência artificial (IA), em que quatro em cada cinco deles acreditam que a nova tecnologia eliminará muitos empregos tradicionais. É o que aponta a pesquisa “O Presente do Trabalho”, na qual 62% dos 158 estudantes ouvidos citaram o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em uma grande empresa como o trabalho ideal para os próximos cinco anos.
O estudo foi coordenado pela Fundação Toyota do Brasil, elaborado pela Teçá Impacto e realizado entre abril e julho de 2026. Os estudantes são do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Sorocaba (SP) e de São Caetano do Sul (SP) e da Unifacens Sorocaba. A pesquisa também reuniu entrevistas com 24 especialistas e um grupo focal com 23 estudantes do Senai de Sorocaba.
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Carteira de trabalho
Jorge Júnior/Rede Amazônica
Os 158 respondentes são majoritariamente homens (75,9%) e têm de 16 a 21 anos (65,3%). Segundo o próprio relatório, a amostra não representa jovens em situação de alta vulnerabilidade.
Estabilidade com flexibilidade
Na pergunta sobre o trabalho ideal, em que era possível marcar até duas respostas, 18,4% preferem abrir o próprio negócio e 5,1% escolheram o trabalho freelancer ou por projetos. Para o relatório, os resultados contrariam a percepção de que a Geração Z prefere o empreendedorismo ou o trabalho freelancer.
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Entre os atributos mais valorizados em um emprego, os jovens citaram equilíbrio entre vida e trabalho (57%), propósito (53,8%), aprendizagem contínua (52,5%) e estabilidade e segurança (44,9%). Cada participante podia escolher até três opções. Segundo o estudo, os jovens não opõem estabilidade e flexibilidade, e sim esperam que ambas coexistam.
No grupo focal, um estudante afirmou que “na indústria, se houver uma boa remuneração e plano de carreira, faz mais sentido, é bem mais estável do que o freela”. Ele também disse que o mercado de tecnologia é visto como cada vez mais competitivo: “tem 500 pessoas em uma vaga de aprendiz”.
Apenas 12,7% indicaram a indústria ou fábrica como ambiente profissional desejado, atrás de empresas de tecnologia e startups (22,8%) e do trabalho remoto ou híbrido (55,7%).
O relatório cita ainda outros levantamentos de 2026. Pesquisa da Serasa Experian mostra que 92,6% da Geração Z que busca emprego prefere vagas CLT. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta a carteira assinada como modalidade preferida de 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos e de 41,4% dos de 25 a 34 anos.
Preferência muda após os 18 anos
Renata Cardoso, consultora de atendimento às empresas do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) de Sorocaba (SP)
Arquivo Pessoal
Em entrevista ao g1, a consultora de atendimento às empresas do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) Renata Cardoso afirmou que os jovens acima dos 18 anos de fato têm preferência pela CLT.
“Nos jovens acima de 18 anos sim, eles tem preferência pela CLT. Exceto aqueles que não possuem experiência, esses são mais flexíveis. Que buscam, além da estabilidade, maior remuneração”, disse.
Segundo ela, a procura pelos programas do CIEE varia conforme a idade. “Depende da região e idade dos jovens. No CIEE existe grande procura até os 17 anos. A partir do 18 anos a procura diminui, pois eles têm outras possibilidades”, afirmou.
O CIEE atua com os programas de estágio e de aprendizagem. De acordo com Renata, são programas que abrem as portas para os jovens no mundo do trabalho. O estágio exige que o jovem seja estudante do ensino médio, técnico ou superior, a partir dos 16 anos. Já o programa aprendiz atende estudantes a partir dos 14 anos e também jovens que concluíram o ensino médio.
Fábrica da Toyota em Sorocaba (SP)
Marcel Scinocca/g1
De 18 a 24 anos
A Prefeitura de Sorocaba informou que o perfil de quem procura o Mutirão do Emprego é bastante variado. Segundo a administração, o evento oferece em média 2 mil oportunidades, com cerca de 60 empresas, para trabalhos temporários e permanentes, do jovem aprendiz e estagiário remunerado ao aposentado que quer voltar ou permanecer no mercado.
“Historicamente, o que se nota no Mutirão é uma predominância de candidatos do sexo feminino, representando cerca de 60%”, diz a prefeitura. Na edição de janeiro de 2026, voltada ao primeiro emprego, houve participação destacada de jovens de 14 a 25 anos.
Na Casa do Trabalhador, antigo Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), o público que mais procura os serviços de intermediação é majoritariamente masculino (51,7%), de 18 a 24 anos, seguido pelo de 25 a 29 anos, principalmente com ensino médio.
Segundo a prefeitura, o perfil se mantém relativamente estável nos últimos anos. Em 2026, o Sistema Nacional de Emprego (Sine) já registrou mais de 20 mil encaminhamentos para oportunidades de emprego.
Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Sorocaba (SP)
Divulgação/Prefeitura de Sorocaba
CIEE Sorocaba (SP) oferece vagas de estágio
CIEE/Divulgação
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